11 de agosto de 2017

Presentes para os pais têm em média 46% do preço só de tributos. Calçados têm tributação de 36,17%, e perfumes importados de 78,43%

Ao comprar presentes para os pais, os consumidores brasileiros vão desembolsar em média 45,6% do preço do produto só para pagar tributos, informa a Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

A média foi obtida por meio da soma das cargas tributárias embutidas no preço final de 31 produtos típicos no Dia dos Pais. As mais altas são das bebidas. A vodca detém 81,52% de impostos e o whisky tem 61,22%. O perfume importado (78,43%), o perfume nacional (69,13%) e a água de colônia nacional (50,38%) também estão entre os mais tributados.

“O levantamento é um retrato e um alerta do quanto de imposto sai do bolso do brasileiro e vai direto para os cofres públicos. E isso fica ainda mais pesado em época de crise”, alerta Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

Produtos do setor de vestuário e calçados ― geralmente os preferidos para Dia dos Pais ― também têm cargas tributárias elevadas, como calça, camisa e casaco de couro (todos com 34,67%) e sapatos (36,17%). As taxas mais baixas estão nos itens de cultura, entretenimento e alimentação: livros (15,52%), ingressos de teatro/cinema (20,85%) e almoço/jantar (32,31%). O levantamento foi encomendado pela ACSP ao Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).

De acordo com João Eloi Olenike, presidente do IBPT, “infelizmente os principais presentes escolhidos para a ocasião são considerados supérfluos pelos órgãos arrecadadores, o que se reflete em uma elevada tributação e acaba restringindo as compras do brasileiro neste momento de confraternização em família. Para ele, “devido ao processo de industrialização, esses itens possuem uma alta incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o que faz com que a compra do presente pese ainda mais no bolso do contribuinte”.

PERSPECTIVAS DE VENDA

Mesmo diante de todo esse impacto tributário, a expectativa da ACSP é de que as vendas do comércio aumentem cerca de 5% em relação a 2016. “Assim como as mães, os pais não ficarão sem presentes. O consumidor vai procurar presentes de bom gosto e que caibam no bolso”, diz o presidente da ACSP.