14 de fevereiro de 2017

Varejo brasileiro deve cair 4,3% em junho no acumulado de 12 meses. Para presidente da ACSP, “efeitos positivos serão sentidos no segundo semestre”

A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) projeta que o comércio varejista brasileiro apresentará queda de 4,3% em volume de vendas no período acumulado de 12 meses terminados em junho deste ano. O resultado é melhor do que a previsão calculada em dezembro passado, a qual apontava recuo de 5%.

“A redução nos estoques do varejo contribui para uma melhora gradual da atividade. E os juros devem cair nos próximos meses, oxigenando a economia. Mas os efeitos positivos serão sentidos a partir do segundo semestre”, diz Alencar Burti, presidente da ACSP.

Para Burti, a recuperação será lenta porque os níveis de emprego e de renda continuam em queda. “As retrações irão arrefecer até um ponto de equilíbrio. A partir daí, não há dúvidas de que o comércio voltará a crescer – seja no final deste ano ou, mais provavelmente, no ano que vem”. 

A projeção da Associação Comercial foi elaborada pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal a partir de informações do INC/ACSP e do IBGE. Contempla o varejo restrito - sem considerar automóveis e material de construção.

“É UM ANO PARA SER ESQUECIDO”

Alencar Burti, ao comentar os dados do varejo nacional divulgados pelo IBGE, conclui que o ano de 2016 é para ser esquecido. 

“A queda de 6,2% ocorreu, por um lado, pelos juros altos e pela indisponibilidade de crédito. Por outro, pelo desemprego e pela baixíssima confiança do consumidor. Todos esses fatores juntos prejudicaram o varejo em 2016 – é um ano para ser esquecido”, acredita ele.

“A boa notícia é que o quadro macroeconômico já começa a se inverter, sinalizando um cenário de melhora lenta e gradual. Mesmo assim, aconselhamos o varejista a cuidar atenciosamente da gestão do caixa e, sobretudo, prestar atenção às necessidades do consumidor para evitar eventuais surpresas. Isso porque 2017 ainda deve fechar no vermelho, mas com retrações menores do que nos dois últimos anos”, finaliza Burti. 

A CONFIANÇA DO BRASILEIRO

O Índice Nacional de Confiança (INC) da ACSP sinaliza que o consumidor vislumbra um cenário mais otimista para o futuro – perspectiva acompanhada por indicadores que medem o ânimo do empresariado.

“Ainda que os juros sigam caindo, o desemprego elevado servirá como contrapeso na concessão de crédito, fazendo com que segmentos mais dependentes das vendas a prazo continuem a ter um ano ruim. Entretanto, o mais importante é notar a tendência de retomada presente nos nossos números”, afirma Burti.