4 de outubro de 2017

Temas em Análise nº 150: Atividade industrial segue em recuperação

Em agosto, segundo a Pesquisa Mensal Industrial (PMI), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção da indústria aumentou em 4%, em relação ao mesmo mês de 2016 (ver tabela abaixo), superando a alta observada em julho (2,5%), na mesma base de comparação.

Apesar desse resultado positivo, no contraste com julho, livre de efeitos sazonais, houve queda na produção, que alcançou a 0,8%. O comportamento mensal da indústria tem se mostrado muito volátil nos últimos meses, o que dificulta extrair conclusões a partir de sua observação.

Nesse sentido, mais significativa é a variação acumulada em 12 meses, que “filtra” todo e qualquer “efeito calendário” e de diferença de dias úteis. Nessa comparação, a atividade do setor permaneceu praticamente estável (-0,1%), dando continuidade à redução do ritmo de queda, que se iniciou em junho de 2016 (-9,7%), conforme pode ser visualizado no gráfico abaixo.

 

Na comparação com agosto do ano passado, todas as categorias econômicas da indústria anotaram elevação, principalmente bens duráveis (18,5%), onde a fabricação de veículos, informática e eletroeletrônicos e móveis registraram significativos aumentos (28,2%, 22,1%, 12,0%, respectivamente). No caso dos bens de capital, cuja
produção aumentou 9,1%, o melhor resultado foi obtido no segmento de equipamentos de transporte (19,8%). Finalmente, nas categorias de bens semiduráveis e intermediários, o destaque ficou com alimentos processados (4%) e autopeças (15,3%).

Em síntese, apesar da influência da base de comparação fraca de 2016, os resultados anteriores sugerem que a atividade industrial começa a se recuperar, impulsionada pela recomposição do poder de compra dos salários, além da queda dos juros e do aumento dos prazos de financiamento, que contribuem para aumentar as vendas internas. As maiores exportações de manufaturados e semimanufaturados completam o quadro de retomada desse setor produtivo.

A perspectiva para os próximos meses é de intensificação da recuperação da indústria, acompanhando novas quedas da taxa básica de juros e o crescimento de suas vendas no exterior, uma vez que a tendência da taxa de câmbio é permanecer próxima ao patamar de “neutralidade” atual.