13 de setembro de 2017

Temas em Análise nº 149: Varejo tem quarta alta seguida em julho

De acordo com o Instituto Brasileiro de Economia e Estatística (IBGE), em julho, as vendas do varejo restrito (que não considera veículos e materiais de construção) e do ampliado (que inclui todos os segmentos) aumentaram na comparação com o mesmo mês do ano passado, pelo quarto mês consecutivo (3,1% e 5,7%, respectivamente – ver
tabela abaixo). No período janeiro-julho também houve elevação do volume comercializado (0,3% e 1,1%, respectivamente).

Nos resultados acumulados nos últimos 12 meses, ambos tipos de comércio continuaram apresentando contração (-2,3% e -2,8%, respectivamente), porém mantendo a tendência de perda de intensidade com relação ao mês imediatamente anterior (-3,0% e -4,1%, respectivamente) observada nas últimas leituras, sinalizando que está em curso uma recuperação, embora lenta.

Na comparação com julho de 2016, o crescimento do volume comercializado do varejo apresenta perfil disseminado. Os supermercados apresentaram leve alta de 0,3%, explicada fundamentalmente pela redução dos preços de alimentos, provocada pela “supersafra” agrícola, e pela recuperação do poder aquisitivo dos salários, decorrente da desaceleração generalizada da inflação.

Por sua vez, a apreciável elevação das vendas de móveis e eletrodomésticos (12,7%) e tecidos, vestuário e calçados (15,5%) também reflete os impactos positivos da liberação de recursos inativos no FGTS, das menores taxas de juros, dos maiores prazos de financiamento, da maior geração de empregos e do clima mais frio, no segundo caso, além, evidentemente, da base de comparação fraca do ano passado.

As vendas de itens de maior valor, tais como material de construção e veículos, começam a reagir (11,0% e 6,5%, respectivamente), tanto pela melhora das condições de crédito e renda das famílias, como pela retomada das contratações, embora tampouco se possa descartar o efeito positivo da menor base de comparação.

Em síntese, os resultados do varejo, em julho, continuam a sinalizar de que há uma indiscutível recuperação das vendas, após quase três anos consecutivos de queda. Essa recuperação, que ainda é lenta, tenderá a se intensificar durante os próximos meses, na medida em que as taxas de juros continuem se reduzindo, num contexto de progressiva recomposição do poder aquisitivo das famílias.