10 de agosto de 2017

Temas em Análise nº 144: Inflação oficial de julho cai abaixo do limite inferior da meta em 12 meses

Em julho,segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação “oficial”, apresentou alta de 0,24%, frente à queda (deflação) de 0,23% registrada em junho.

Apesar disso, ficou bem abaixo do aumento observado no mesmo mês de 2016 (0,52%), resultando em nova queda da inflação acumulada em 12 meses, que alcançou a 2,71% (ver tabela abaixo), menor valor desde fevereiro de 1999, e abaixo do limite inferior da meta anual perseguida pelo Banco Central (3,0%).

Grande parte dessa continuidade da desaceleração da inflação “oficial” se explica pelo menor consumo, em decorrência da crise econômica, e pelos efeitos do aumento da oferta de produtos agrícolas, como resultado da “supersafra”, que continua a exercer pressão “deflacionária” sobre os preços dos alimentos. A descompressão dos preços resistiu, inclusive, ao aumento das tarifas elétricas e dos preços dos combustíveis, devido ao aumento da alíquota do PIS/COFINS.

No mesmo mês, o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que representa uma medida mais abrangente da inflação, mostrou a quinta queda seguida, que alcançou a 0,3%, frente à redução de 0,96% anotada em junho.

Desse modo, a variação acumulada em 12 meses desse índice seguiu sendo negativa (-1,42%), embora a diminuição tenha sido menos intensa do que a observada na leitura anterior (-1,51%), refletindo a continuidade da redução dos preços das matérias primas, medidos pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo – IPA (-4,19%), principalmente em decorrência da intensa deflação dos preços das matérias primas agrícolas (IPA AGRO), que alcançou a 16,7% na mesma base de comparação.

Em síntese, o menor consumo provocado pela crise e o recorde de safra agrícola deverão continuar a provocar desaceleração da inflação “oficial” em 12 meses, que é o resultado que se assemelha ao anual, apesar de algumas pressões na direção contrária, decorrentes dos aumentos das tarifas de água, esgoto, gás, passagens de ônibus e
pedágios em algumas capitais e das tarifas de energia elétrica, devido à mudança da “bandeira” tarifária em todo o país.

As projeções de mercado apontam para um resultado anual do IPCA próximo a 3%, o que abriria espaço para a continuidade das reduções da taxa básica de juros (SELIC), por parte do Banco Central, o que deverá acelerar a recuperação da economia, que já começa a ser notada na geração de empregos formais, que em julho alcançou a
35,9 mil vagas, com destaque para a indústria (12,6 mil vagas), o comércio (10,1 mil vagas) e os serviços (7,7 mil vagas).