10 de julho de 2017

Temas em Análise nº 141: Deflação generalizada no mês de junho

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação “oficial”, apresentou variação negativa (-0,23%), ou seja, deflação, no mês de junho.

Essa deflação mensal, que não ocorria há 11 anos, ficou abaixo das expectativas do mercado (-0,17%), se explica basicamente pelos efeitos negativos da crise sobre o consumo, pela “supersafra” agrícola, que continua a derrubar os preços dos alimentos, e pela redução das tarifas elétricas.

Com esse resultado, a variação do IPCA acumulada em 12 meses (“anualizada”), que se aproxima da inflação anual, recuou ainda mais, passando de 3,6% em maio para apenas 3,0% em junho, nível que representa o limite inferior da meta anual de inflação (ver tabela abaixo).

 

No mesmo mês, o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), apresentou a quarta queda seguida (-0,96%), mais intensa do que a registrada em maio (-0,51%).

Assim, a variação acumulada em 12 meses desse índice também apresentou deflação (-1,51%), refletindo a continuidade da redução dos preços das matérias primas, medidos pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que anotou queda de 4,33%, bastante mais intensa que a observada no mês anterior (-0,79%).

Essa intensificação, por sua vez, decorre do aprofundamento da redução dos preços das matérias primas agrícolas (IPA AGRO), na mesma base de comparação, entre maio e junho (-10,0% e -17,21%, respectivamente).

Em síntese, a crise, a “supersafra” e a queda das tarifas elétricas provocaram inédita deflação conjunta do IPCA e do IGP-DI (ver gráfico abaixo). A perspectiva para os próximos meses é de continuidade de redução do IPCA “anualizado” (variação em 12 meses), devido a que a descompressão dos preços dos alimentos deverá seguir, mantida pela queda dos preços agrícolas no atacado.

Além disso, outro fator de atenuação da inflação “oficial” seria o efeito negativo sobre os reajustes dos preços do aluguel e dos serviços em geral, em decorrência da deflação, também observada no mês de junho e na variação em 12 meses, no parâmetro básico utilizado para tal fim, que é o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), segundo
a mesma FGV.

Desse modo, a variação do IPCA pode alcançar, em termos anuais, por primeira vez na história, níveis inferiores ao limite mínimo de tolerância da meta anual de inflação (3,0%), o que abriria espaço para que a taxa de juros básica (SELIC) possa se reduzir mais do que o esperado.

Assim, é provável que a incerteza política não diminua o ritmo de queda da taxa SELIC que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM) tem determinado em suas últimas reuniões (1,0%), o que seria uma excelente notícia para a recuperação da economia brasileira, além do fato de o menor aumento dos preços recompor, aos poucos, o poder de compra da população.