4 de abril de 2017

Temas em Análise nº 130: Em fevereiro, indústria emite sinais de que "o pior já passou"

Em fevereiro, a atividade industrial praticamente ficou estável em relação a janeiro, ao apresentar aumento de apenas 0,1%, livre de efeitos sazonais, de acordo com a Pesquisa Mensal da Indústria (PMI), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Contudo, sobre igual mês de 2016, houve queda de 0,8% (ver tabela abaixo), em parte explicada pelo fato de que fevereiro apresentou um dia útil a menos do que no ano passado.

A volatilidade exibida pela produção industrial, alternando meses de contração e de expansão, normais numa fase de transição, dificulta discernir uma tendência clara, que pode ser melhor apreciada na variação acumulada em 12 meses, que registrou recuo de 4,8% (ver tabela abaixo), inferior ao observado no mês anterior (-5,4%), continuando a sinalizar arrefecimento da contração do setor.

Na comparação com fevereiro do ano passado, as maiores influências positivas vieram de veículos (18,7%), informática e eletrônicos (13,1%) e máquinas e equipamentos (11,0%). A alta de certos ramos pode estar sendo estimulada pelo setor externo. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MIDIC) mostram que em março as exportações de manufaturados cresceram12,3% sobre o mesmo mês de 2016, enquanto no caso dos semimanufaturados o aumento alcançou a 7,4%.

Por sua vez, na mesma base de comparação, no campo negativo, se destacaram impressão e gravação (-16,3%), outros equipamentos de transporte (-11,4%) e petróleo e biocombustível (-10,7%).

Em síntese, apesar da base de comparação mais fraca do ano passado, os resultados da indústria em fevereiro continuam sinalizando diminuição de intensidade da longa crise vivida pelo setor.

A recuperação da produção industrial, assim como da atividade econômica em geral, deverá ser lenta, dependendo crucialmente, no caso deste setor, da evolução da taxa de câmbio, da continuidade do aumento da confiança dos empresários e de quedas maiores e mais intensas das taxas de juros, suficientes para estimular o mercado
interno.