8 de março de 2017

Temas em Análise nº 126: PIB mostra forte queda em 2016, mas sinaliza recuperação da atividade

Tal como era esperado pelos analistas de mercado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) mostrou forte queda em 2016 (3,6%), levemente inferior à observada em 2015 (-3,8%), configurando, de todo modo, o pior resultado para um biênio desde que as contas nacionais são calculadas.

Contudo, no contraste com o mesmo período do ano anterior (ver gráfico abaixo), entre outubro e dezembro do ano passado, continuou a ser observado recuo da atividade menos pronunciado em relação ao registrado no trimestre imediatamente anterior, sinalizando perda de intensidade da recessão.

Pelo lado da demanda, em 2016, o consumo das famílias, seu principal componente, apresentou contração de 4,2%, maior que a registrada em 2015, em decorrência das reduções da renda, do crédito e do aumento do desemprego.

No caso dos investimentos produtivos e em infraestrutura (formação bruta de capital fixo), houve forte contração (-10,2%) devido às crises política e econômica que fizeram “desabar” a confiança dos empresários, à paralização das empresas envolvidas na “Operação Lava Jato” e à diminuição do investimento público.

Por sua vez, o consumo do governo, que corresponde basicamente às despesas com servidores nas três esferas governamentais, apresentou redução, embora em menor intensidade (-0,6%).

Tal como ocorreu em 2015, o setor externo continuou a ser o único item da despesa a dar contribuição positiva, produto do aumento da taxa de câmbio, que aumentou a competitividade da produção nacional, fazendo crescer as exportações (1,9%) e diminuir as importações (-10,2%), que também foram negativamente afetadas
pela própria recessão.

Pelo lado da oferta, na mesma base de comparação, por primeira vez desde 1996 houve contração de todos os setores produtivos. No caso da indústria, a retração de 3,8% é bastante inferior à observada em 2015 (-6,2%), e se explica basicamente pelo aumento da produção e distribuição de eletricidade, gás e água.

Os serviços, que constituem o principal setor produtivo da economia, mantiveram a mesma intensidade de queda em 2016 em relação ao registrado no ano anterior (-2,7%), afetados negativamente pela queda da renda e do emprego.

Até mesmo a agropecuária, que tinha sido o único setor a apresentar crescimento em 2015, anotou diminuição no seu valor produzido, sendo esta, inclusive, a maior dentre os trêssetores (-6,6%). Pesaram muito os choques climáticos observados em várias regiões produtoras, principalmente no caso das culturas de milho e soja.

A perspectiva para 2017 é de continuidade da recuperação da economia, ainda que de forma lenta. Os fatores que podem impulsionar a atividade econômica são: a maior intensidade e a continuidade da redução dos juros, a recuperação da safra agrícola e a retomada das concessões em infraestrutura. O setor externo também poderá continuar sendo um fator de recuperação, principalmente em face dos aumentos dos preços internacionais das principais matérias primas exportadas pelo País, porém será crucial acompanhar a evolução da taxa de câmbio.